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A moda que não vai pro lixo: preservação e consumo consciente

Por Fabio Silvestre Cardoso*, especial para a MextMag

No ano de 2019, as declarações e a própria ascensão da ativista Greta Thunberg estabeleceram uma espécie de alerta até mesmo para aqueles que estavam pouco atentos ao noticiário. Da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, todos pareciam impressionados com o alerta: nossa casa está pegando fogo – e, sim, esta foi a declaração de Thunberg e de Emmanuel Macron, o presidente francês, que também se engajou ao longo do ano passado. Apesar da retórica extremada, até o momento, ainda não vemos efetividade em relação às medidas que têm sido tomadas para combater o colapso que está iminente…

A não ser que você olhe para a França, isso mesmo o país presidido por Emmanuel Macron. É de lá que vem a grande novidade do início deste 2020. Brune Poirson comanda uma secretaria de Estado dentro do ministério da Ecologia, na França. De acordo com os relatos publicados pela imprensa, Poirson ficou conhecida como a ‘Ministra da Moda’. A alcunha poderia soar algo pejorativa, sobretudo em tempos de “social justice warriors” e “lugar de fala”. Mas nesse caso isso pareceu não incomodar. A causa é nobre. A lei contra o desperdício, encaminhada para aprovação no Senado francês, quer garantir que produtos não vendidos não sejam incinerados. A principal disputa aqui não envolve apenas essa decisão; antes, tem a ver com os envolvidos, as grandes marcas de luxo.

Só para que se tenha uma ideia, as estimativas apontam que o equivalente a 650 milhões de euros por ano são incinerados. O motivo da queima? A necessidade de manter os produtos exclusivos, aspecto decisivo para que esses produtos continuem a preservar seu público consumidor, que, por sua vez, está sempre ávido por lançamentos que não são encontrados aos montes. De acordo com esse raciocínio, se esses produtos fossem colocados à venda por preços mais baixos, automaticamente tais marcas se tornariam mais acessíveis ao grande público, deixando de lado seu apelo de sofisticação para poucos.

17 objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU

Está certo quem imagina, como escreveu Fitzgerald, que “os muito ricos, eles são diferentes de nós”. De fato, o autor de “O Grande Gatsby”, ainda no início do século XX, já escrevia que a vida de luxo era equivalente a certa frivolidade. Mas até então não havia preocupação para com a manutenção dos recursos naturais do planeta, uma agenda necessária para o debate público desde, pelo menos, a década de 70 do século passado. No começo dos anos 2000, com as Metas do Milênio, a preocupação com o desperdício já tinha cores mais vivas e, desde 2015, com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (são 17, ao todo), parece mais do que evidente a atenção para com as práticas ligadas ao consumo – o item número 12, por sinal, trata exatamente disso ao recomendar: “Consumo e produção responsáveis”.Entrevistada pelo canal “Europe 1” no mês de dezembro do ano passado, Brune Poirson não escondeu nem um pouco do entusiasmo com o qual defende ideias que são consideradas por alguns como utópicas. Nas palavras da ‘ministra da moda’: “A transição ecológica é o projeto mais emocionante que humanidade há de fazer”.

*Fabio Silvestre Cardoso é jornalista, doutor em Integração da América Latina pela USP e mestre em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. É autor do livro Capanema, lançado pela Editora Record. Linkedin

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