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Como construir empresas inovadoras, por Peter Thiel, do PayPal



Por Fabio Silvestre Cardoso, especial para a MextMag


De zero a um, obra escrita por Peter Thiel com Blake Masters, é daquele tipo de livro que

o leitor busca quando está atrás de uma ideia. A motivação não é por acaso. Thiel é cofundador do PayPal e da Palantir Technologies, uma empresa de software especializada em análise de dados. Sua visão e sua maneira de fazer negócios o tiraram da universidade para se tornar um dos principais investidores de sua geração, incluindo gigantes como Facebook, SpaceX e Airbnb. Esse mesmo leitor, portanto, pode esperar ali dicas que o “tirarão da zona de conforto”, de um autor que se posiciona como “mentor” para que sua audiência saia da caixa, certo? Felizmente, a resposta é um sonoro não.


Na verdade, Thiel é o tipo de autor que está na oposição dos empreendedores de palco.


Isso não significa que o autor não seja vaidoso – prova disso é o fato de que ele acaba de lançar sua própria fundação, que busca alunos que desejam empreender para além das universidades. Ocorre que o cofundador do PayPal apresenta outras possibilidades em seu livro, a saber: em vez de correr pelo lugar-comum dos negócios como ensinam os manuais, Thiel defende uma abordagem destinada àqueles que pretendem romper com o que já é conhecido. E isso exige uma postura impiedosa (e muitas vezes agressiva) no mundo dos negócios.


Vale a pena destacar, nesse sentido, a passagem em que Thiel comenta a respeito da concorrência. “Monopólio criativo significa produtos novos que beneficiam a todos e lucros sustentáveis para o criador. Concorrência significa ninguém lucrando, nenhuma diferenciação significativa e uma luta pela sobrevivência. Então, por que as pessoas acreditam que a concorrência é saudável?”, questiona o autor. Ao expor seu argumento, atacando o que chama de “ideologia da concorrência”, Theil observa como os autores clássicos refletem sobre o assunto. E ele alerta: entre Marx e Shakespeare, o bardo inglês se mostra um guia superior:

Dentro de uma empresa as pessoas ficam obcecadas pelos seus concorrentes no progresso da carreira. Depois as próprias empresas ficam obcecadas por seus concorrentes de mercado. Em meio a todo o drama humano, as pessoas perdem de vista o que importa, concentrando-se em vez disso em seus rivais.

A consequência prática disso, avalia o autor, é que a rivalidade faz com que as empresas estejam atentas tão somente nas oportunidades que, no passado, se mostraram valorosas. E não é assim que se vai do zero ao um. Para tanto, é necessário algo mais do que o copia e cola – ou seja, é necessário construir coisas novas. É preciso fazer um negócio que, a um só tempo, possa reunir marca, escala, efeitos de rede e capacidade tecnológica. Não por acaso, o que estamos vendo, em se tratando de marketplace na internet, reproduz em gênero, número e grau a visão de Peter Thiel. Ou alguém realmente acredita, a essa altura do campeonato, que a Amazon ainda quer competir?

Em outra passagem do livro, Thiel escreve sobre a “Lei de Potência” – equações exponenciais que descrevem distribuições fortemente desiguais – é a lei do universo. Em outras palavras, para o autor, no atual estágio do mundo contemporâneo (levando em consideração o cenário pré-Covid19, claro), são poucas as companhias que conquistam um lugar ao sol no que se refere ao valor de mercado. Aqui, numa exposição bastante crua de como funcionam os bastidores dos investimentos de risco, Peter Thiel salienta que a maioria dos capitalistas de risco aporta recursos em startups que não têm potencial de retornar o valor completo do fundo. Por que elas fazem isso, adotando um comportamento irracional? Entre as explicações, o autor comenta que ninguém quer desistir de um investimento, de modo que “os capitalistas de risco geralmente se dedicam mais tempo às empresas problemáticas do que às mais obviamente bem-sucedidas”.


Em “De zero a um”, temos em mãos palavras fortes para empreendedores, investidores e leitores que pretendem tomar a decisão difícil de adotar o caminho estreito. Peter Thiel não é para leitores do caminho suave das receitas de sucesso imediato.


*Fabio Silvestre Cardoso é jornalista, doutor em Integração da América Latina pela USP e mestre em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. É autor do livro Capanema, lançado pela Editora Record.

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