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Resenha: “Payback”, de Margaret Atwood

Por Fábio Silvestre Cardoso*, especial para a Microexato

Os tempos não são nada convidativos para a leitura que se recomenda a seguir. Mas é um texto saboroso, de uma escritora cuja imaginação reflete o que de melhor já se concebeu na literatura ficcional. O nome é Margaret Atwood, a escritora canadense que envolveu milhões de leitoras e leitores (a ordem é correta, bem entendido) no romance distópico “O conto da aia”, publicado ainda nos anos 1980. Por que o sucesso agora? Porque existe esta série, de mesmo nome, estrelada por Elisabeth Moss. A trama: num futuro sombrio, mulheres são anuladas pela opressão de um Estado teocrático e totalitário, que proíbe, ainda, jornais, filmes, muito menos livros...


Ocorre que essa história já foi contada muitas vezes. E, não, não é esse o livro que é motivo desta indicação. Embora seja da mesma autora, a obra em questão aqui é “Payback – a dívida e o lado sombrio da riqueza”, que faz uma reflexão sobre a dívida na religião, na literatura e na estrutura das sociedades humanas.


Nas palavras de Atwood: “Escritores escrevem sobre aquilo que os perturba, diz Alistair MacLeod. E também sobre o que os intriga, acrescento eu. O tema de “Payback” é uma das coisas mais perturbadoras e intrigantes que eu conheço: o nexo peculiar onde dinheiro, narrativa ou história e crença religiosa se cruzam, muitas vezes com uma força explosiva”.


Lançado originalmente em 2008, “Payback” ganha agora um novo significado, afinal, boa parte das empresas e mesmo dos indivíduos carecem agora de reestruturar seu presente para poder projetar seu futuro. Dito de outro modo, se, até 2020, o modelo era conceber a educação financeira como um eixo para os projetos seguintes, agora, o plano é entender como será possível escapar das dívidas e reinventar-se a si mesmo, com perdas e ganhos que deverão ser colocados na balança numa espécie de julgamento de onde, esperamos, nós não sejamos os condenados.


Longe de oferecer um diagnóstico tenebroso da economia, “Payback” é a chance de compreendermos por que é preciso mudar nossas ideias a respeito da dívida, senão as consequências podem ser desastrosas – ou, por outra, para que um momento como este, de pandemia e isolamento social, não seja ainda mais doloroso por conta de um compromisso que assumimos sem saber onde é que estávamos nos envolvendo.



*Fabio Silvestre Cardoso é jornalista, doutor em Integração da América Latina pela USP e mestre em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. É autor do livro Capanema, lançado pela Editora Record. Linkedin

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